A vingança de Yuri – Parte 5

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Depois de comerem, voltaram aos treinamentos.
– Como sua resistência é muito pequena, ainda não sei o que podemos fazer. Estamos no meio do nada, não há nem pesos para você levantar… – Disse Kai

O mestre olhava para os lados para ver o que poderia encontrar
– Ali está o rio! Entre nele e caminhe dentro dele. Será muito mais dificil andar dentro da água do que aqui, na terra.

E la foi Yuri para mais um treinamento e pensava:
– Por que eu decidí fazer isso?

– Vá mais fundo, vá até onde a água bata no seu peito – Disse Kai – Agora sim. Caminhe por aquela direção. Tente andar rápido.

Claro que era impossível andar rápido. A água empurrava Yuri para trás e ele lutava para poder andar rápido. Era uma tarefa bem difícil.
Depois de andar um bom tempo, o mestre falou:

– Acho que por hoje é só. É melhor voltar para a cabana e conversar um pouco. Terei que ser muito criativo para te dar exercícios, já que estamos no meio do nada.

Os dois começam o caminho de volta e o mestre começa a conversar:
– Yuri, você realmente está pronto para perder sua vida?
– Se for necessário morrer numa batalha, morrerei – Disse o garoto prontamente
– Eu não quis dizer no sentido de morrer, mas no sentido de “deixar de ter”. Assim que você se tornar um guardião, perderá sua vida, porque tudo o que fizer não será para benefício próprio, mas para ajudar as pessoas. Todos os dias será necessário treinar e será necessário estar sempre alerta, você já não será dono da própria vida – Disse o mestre

– Sim, estou pronto! – disse Yuri – Mas além de perder minha vida, também não posso me tornar imortal?
– Como assim?

– Sempre que alguém faz algo notável, esse alguém se torna imortal. Mesmo que estejam mortos, seus feitos são lembrados e se uma pessoa não é esquecida, de certa forma, ela se torna imortal.
– Pensando bem, pode ser isso sim. Mas vale a pena perder a vida para se tornar imortal? – Perguntou o mestre
– Realmente eu não sei – Disse Yuri

– Sabe… Você tem um pensamento amplo, isso é bom
– É mesmo? – Perguntou Yuri sorrindo
– É.

E continuaram seguindo até chegar a cabana.

– Esquecí de te dar um exercício para os braços. Faça 15 flexões. – Disse o mestre.

Então Yuri começou fazer as flexões, mas Kai o interrompeu dizendo:
– Não quero nesse ritmo, quero que faça mais lento. Faça bem lento.

– Mas o não seria melhor eu fazer rápido e melhorar sua agilidade? – Perguntou o garoto
– Trabalharemos sua agilidade depois, agora vamos trabalhar sua resistência. Fazendo lento você terá que sustentar seu corpo por mais tempo, por isso seu braço ficará mais cansado. E cada flexão será uma tortura, no meio do exercício você ficará pensando “será que vou conseguir?” essa tortura mental é que te derrubará. Você deve aprender a acreditar em sí mesmo, e não pensar na derrota. Agora faça as flexões – Disse Kai

– Sim, mestre – Disse Yuri enquanto recomeçava os exercícios.
– Um pouco mais lento – Disse Kai – Agora sim, mantenha essa velocidade.

No início o exercício parecia fácil, mas logo ficou cansativo e o garoto pensava:
– Estou cansando, droga, acho que não vou conseguir… Não, não pense isso… Vai que consegue… Falta pouco… Agora só falta 4… Vamos força, só falta 3… Não, não vai dar…

Então o garoto desiste.

– Droga, não conseguí – Disse Yuri frustrado.
– Eu sabia que não iria conseguir – Disse o mestre – Mas logo conseguirá, você aprenderá a superar sua mente e acreditar mais em sí mesmo.

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A vingança de Yuri – Parte 4

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É claro que Yuri não conseguia dormir. Ficou pensando no que acabara de acontecer.
– Como ele sabia que eu não joguei a água no rio? Será que ele ficou me observando? – Pensava o garoto
– Impossível! Se eu iria perceber se ele estivesse por perto.
– Mas ele deve conseguir seguir as pessoas sem que elas possam perceber…

E assim ficou Yuri pensando quase durante a noite toda.

Passadas algumas horas, o Sol começava a surgir e lançava seus raios sobre o jovem que ainda estava dormindo.

– Acorda! – Gritou Kai

O garoto tenta acordar, mas parece que os olhos estão pesados, difíceis de abrir.
Depois de muito esforço consegue abrir os olhos, mas sua visão ainda está embaçada.

– Vamos! Levanta logo seu molenga! Você tem que treinar! – Resmungou Kai

A criança levanta ainda com sono e segue o seu mestre.

– Afinal quantos anos você tem?
– Tenho 15 anos.
– 15? Ha Ha ha! Você parece mais com uma criança de 12 anos! Temos muito que trabalhar.
– Sim, senhor.
– Como você é um iniciante, nos primeiros dias faremos diversas pausas durante o treinamento. E com o passar dos dias diminuiremos esses tempos de pausa.
– Certo – Disse Yuri

– A príncipio um guerreiro precisa ter um bom preparo físico. Para isso é preciso estar em equilíbrio a força, a agilidade e a resistência. Muitas pessoas treinam apenas a força, isso é um erro. Uma pessoa forte pode derrotar seu oponente em poucos golpes, mas, por possuir pouca agilidade, em muitos casos o inimigo pode desviar de todos seus golpes e ainda assim ganhar a luta. Preparei alguns exercícios para ver onde teremos que trabalhar primeiro. Está vendo aquela árvore?

– Sim
– Agora quero que corra até lá o mais rápido que puder.
– Agora?
– Claro! Não foi ainda por quê?

Então ele correu o mais rápido que pode. Seus primeiros 20 passos foram bem rápidos, mas logo ele começou a se cansar e ia cada vez mais lento.
Faltava um quarto do caminho ainda, puxava o ar desesperadamente, mas parecia que não havia ar suficiente.
Agora cada passo era uma luta para as pernas obedecer, depois de muita briga com as próprias pernas, consegui chegar até a árvore.

Assim que chegou, Yuri sentou e ficou lá ofegante por alguns minutos. Enquanto descansava, o mestre se aproximava.

– Muito bem! Muito bem! – disse Kai sarcasticamente enquanto batia palmas – Ví que consegue correr rápido, mas sua resistência é tão pouca que nem conseguiria fugir de uma luta. Descanse um pouco, começaremos a trabalhar sua resistência.

Depois de um tempo, Kai levantou e disse:
– Acho que já descansou. Agora vamos, me acompanhe. Vamos andar um pouco.

O garoto levantou e começou a andar ao lado do mestre.

– Você não está respirando o suficiente! Respire mais profundamente – disse o mestre – Mantenha o passo! Não diminua o andamento!

Depois de andarem alguns minutos o mestre parou e disse:
– Muito bem! Agora continue andando e vá até a árvore assim que chegar lá volte até aqui!

– Você não vai me acompanhar?
– Estou te treinando. E treinadores não fazem exercícios. Não sou eu que quero salvar o mundo.

Então Yuri continuou andando, estava um pouco cansado mas dava para suportar.

– Respire mais e não diminua o ritmo! – Gritou Kai

Assim que o jovem retornou, o mestre disse:
– Vamos comer algo agora. Você deve estar faminto.
– Sim estou!
– Logo alí tem uma maçãs, vamos até lá.

Assim que chegaram o jovem já saiu atacando as maçãs, parecia que comia uma maçã por mordida de tanta fome que sentia.
Enquanto isso o mestre olhava calmamente as frutas para ver qual parecia mais saborosa.

– Por que escolhe tanto a maçã? Não está com fome? – Perguntou Yuri com a boca cheia de pedaços de maçãss
– Não! Não estou com fome.
– Não acredito, ficamos tanto tempo sem comer…
– É que eu comí antes de te acordar, meu jovem dorminhoco.

– O quê? Você comeu e nem me chamou? – disse o Jovem com os olhos arregalados e com uma raiva terrível.
– Pois é! Quem acorda cedo tem mais recompensas. Sem esforços não há recompensas.

Agora coma e descanse que temos mais treinamentos por hoje.